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  • Foto do escritorAmanda Ferraz dos Anjos

Você é o único responsável por sua autoestima?

Atualizado: 29 de out. de 2023

Esse post nasceu de um incômodo referente a discursos que foram recentemente propagados em redes sociais.

Mulher negra de cabelos soltos com semblante de dúvida e dedo indicador no queixo

Antes de começar cabe aqui uma breve explicação sobre o assunto principal desse post, a autoestima. Por definição, a autoestima é um conjunto de sentimentos e pensamentos que uma pessoa tem sobre seu próprio valor, competência e adequação, que pode refletir em uma atitude mais positiva ou negativa com relação a ela mesma. Recentemente, ao navegar por algumas redes sociais, me deparei com alguns discursos sobre como desenvolver a autoestima. E mais de uma vez encontrei falas que passam a ideia de que a autoestima pode ser desenvolvida apenas mudando sua forma de pensar, ou como vi recentemente em um vídeo, "mudando seu mindset". A crítica que coloco aqui para reflexão é que esse tipo de discurso coloca toda a responsabilidade de como você se sente, se vê e se percebe, em você mesmo. Além de colocar essa modificação como algo simples e rápido de construir, como se bastasse virar uma chave e pronto, autoestima de milhões. Pela minha experiência, nenhuma mudança é fácil e simples, principalmente a mudança de hábitos, de maneiras de construir pensamento e de ver o mundo. A mudança é resultado de reflexão e pode demorar muito para acontecer, pois são muitas peças do quebra cabeça para se encaixar dentro de si mesmo. Se analisarmos mais profundamente o impacto dessas colocações, percebemos que tende a culpabilizar a pessoa por não ter uma autoestima positiva. Além de, ao mesmo tempo, desconsiderar todo o seu contexto socioeconômico, suas vivências, seus relacionamentos e seu ambiente de forma geral. Logo, esse tipo de pensamento, ignora o fato de que o que acontece ao seu redor afeta a forma como você se vê.

Isso me lembra de um outro ponto que também considero bastante problemático. Que é a ideia de que o sofrimento pode ser provocado pela forma como você interpreta o que acontece com você. Pois muitas vezes esse discurso deixa de lado as consequenciais reais do que os fatos ocorridos com você podem ter te provocado. Percebe que ao colocar o foco do problema apenas na sua interpretação você está colocando toda a culpa de como você se sente em você mesmo?

Gosto de explicar que quando temos ao nosso dispor um ambiente com afeto, escuta, críticas construtivas, acolhimento e carinho, é propiciado um espaço interno e externo muito mais favorável a um desenvolvimento pleno, em que haja possibilidade para a construção de uma autoestima positiva.

Já em um ambiente repleto de críticas infundadas, violências, indiferença, afastamentos e repressão, é criada uma atmosfera propícia a um desenvolvimento deficitário, angustiante e no qual pode ser construída uma visão de si mesmo muito mais negativa.


Entender que as coisas de fora importam, como por exemplo, a forma como as outras pessoas se comportam diante de nós, pode auxiliar a entender e selecionar com mais consciência aquilo e aqueles que tenham um impacto positivo e façam sentido para gente. De modo que possamos ser agentes de transformação no nosso ambiente e consigamos enxergar possibilidades melhores para nós mesmos, agindo de maneira ativa para o bem estar próprio.

Lembrando que algumas coisas podem não ser escolhidas, como sua condição financeira e social. Logo, não vai ser mudando seu “mindset” ou sendo sua própria inspiração que a autoestima se elevará, mas é possível começar criando um ambiente favorável para isso.

 

Esse post te ajudou? Deixe uma curtida e um comentário. Abraço!


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